
Tudo isso que estamos presenciando na Cidade Maravilhosa, é apenas novas cenas de uma velha guerra.
O processo de crescimento do crime organizado no Rio dura 30 anos. E na última década, não houve um único ano em que os cariocas não assistissem a tiroteios em favelas, queimas de ônibus e carros nas ruas e assassinatos de autoridades ligadas ao sistema penitenciário e à segurança.
O crime começou a se organizar no Rio de Janeiro no fim dos anos 1970, quando bandidos libertados da Ilha do Fundão se uniram para criar o Comando Vermelho, primeira facção de crime organizado a atuar na cidade.
Após uma série de assaltos a bancos que serviram para capitalizar o grupo, os bandidos estabeleceram acordos com cartéis da Bolívia e da Colômbia para distribuir cocaína no país.
Iniciaram então uma tomada das tradicionais bocas de fumo que vendiam maconha nas favelas e que eram gerenciadas como negócios alternativos dos barões do jogo do bicho. Foram ajudados, indiretamente, pela política de segurança pública do então governador Leonel Brizola, que proibiu a polícia de atuar nos morros. Em 1985, o CV já detinha mais de 70% dos pontos de venda de drogas.
A conquista das bocas atraiu a ira de outros bandidos contra o CV. Em 1983, desafetos do comando, principalmente oriundos da Zona Oeste e que eram mantidos na terceira galeria do presídio da Ilha Grande deflagraram uma guerra sangrenta contra chefes do Comando Vermelho. Nasceu assim o Terceiro Comando.
Desde então, a guerra por território entre facções protagonizou inúmeros episódios de terror na cidade ao longo dos anos.
Desde 1979, vendo o avanço do tráfico sobre as favelas, comerciantes de Rio das Pedras, na zona oeste, começaram a pagar policiais por proteção contra os traficantes. Nasceu assim a primeira milícia, que começou a crescer no início dos anos 2000. Policiais, na ativa ou na reserva, formavam grupos paramilitares que, muitas vezes usando armamento da própria corporação, expulsavam os traficantes e ocupavam seu lugar nas favelas.
A forma de ação dos milicianos inclui a extorsão de moradores para que paguem por todos os serviços clandestinos que atuam na favela, do ponto de luz ao gato da TV a Cabo, além da segurança. Quem não aceita pagar é espancado, ameaçado e finalmente expulso de sua casa, com a família. Quem se recusa a sair, é assassinado.
Hoje, as milícias ocupam 96 favelas no Rio de Janeiro, e constituem um dos maiores problemas de segurança, quase tão grave quanto o do tráfico. Serão contra elas as batalhas que os brasileiros, e os cariocas em especial, assistirão pela TV nos próximos anos. Porque as força policiais podem até derrotar os traficantes nesta batalha que estamos presenciando. Mas, a Cidade Maravilhosa, ainda estará muito longe de vencer esta guerra em definitivo.
ANIZIO RODRIGUES DE OLIVEIRA FILHO
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