quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Será que esgotou?



Até hoje as novelas tentam usar de uma fórmula para atrair seus telespectadores, mas a verdade é que o público parece cansado de sempre observar a mesma história. Tem sempre um mocinho ou mocinha que é injustiçado por um vilão durante toda a novela, ou ainda um casal que é sempre separado e só consegue ficar junto ao final da trama, e assim por diante. Aí então fica a pergunta, será que o gênero novela está esgotado?
O que acontece é que cada vez mais as novelas têm perdido audiência e é muito difícil algo chamar e prender a atenção do público. Não é mais como na época da novela “Vale Tudo” que o país inteiro ficou tentando descobrir quem tinha assassinado Odete Roitman e assim acompanharam até o último capítulo para saber o desfecho da história.
Hoje em dia por mais que se tente fazer suspense sobre algum fato da novela a imprensa acaba descobrindo e publicando o que deve acontecer e aí o público dispersa, ou então a trama não chama a atenção e as pessoas acabam nem se importando com o suspense que o autor tentou fazer.
A novela Passione tem tentado atrair a atenção das pessoas com temas como, quem matou Saulo Gouveia (Werner Schunemman)? Ou qual é o segredo de Gerson (Marcelo Antony)? Mas mesmo assim isso já não causa na população aquele rebuliço em que onde quer que se vá o assunto sempre é comentado por alguém.
Passione tem usado temas atuais como a gravidez na adolescência e o aborto, entretanto o público parece pedir algo diferente. A verdade é que a novela não tem empolgado tanto e mesmo com a série de assassinatos o público parece estar achando a trama chata.
O sotaque italiano, muito carregado, merece um acerto. Irrita e confunde além de provocar um “algo cômico” ao fundo. Aliás, em que manual está escrito que núcleo de humor é compulsório nas novelas?
Já o trio Agostina (Leandra Leal), Jéssica (Gabriela Duarte) e Berilo (Bruno Gagliasso) está andando em círculos e suas cenas caíram numa monotonia sem fim. É sempre a mesma dinâmica: Berilo está com Agostina e, na hora agá em que seria flagrado, consegue se livrar do perigo. Quando isso começa, o espectador já sabe o que vem.
Passione já passou da metade e os índices de audiência tem caído cada vez mais, o autor Silvio de Abreu vai ter que procurar um jeito de atrair de volta esses telespectadores ou então a trama será considerada um fracasso.
Na realidade, as novelas em geral precisam mudar sua fórmula porque se ficar provado que os temas estão esgotados, a audiência vai caindo até chegar uma hora que será necessário substituí-las por outro tipo de programa. Portanto, senhores autores de novelas, abram o olho e mudem o jeito de escrever as tramas.


Daniela Casale

Ho Ho Ho



E aí vem mais um natal. Mas este promete ser uma data diferente das demais.
Não pelo clima cada vez mais maluco devido a nossa “contribuição” poluente, não pela segurança, garantida pela retomada do complexo do Alemão, no Rio de Janeiro e tão menos pela sensação de alívio, provocada após o resgate dos 33 mineiros do Chile.
Cada vez mais capitalista o Natal se distancia (?) do seu espírito sentimental de renascimento, de novas oportunidades, de esperança, de fé e etc.
Os presépios hoje são montados a partir de uma realidade virtual em terceira dimensão. Os presentes superam a expectativa de reunir as famílias. Aliás, diga-se de passagem, a lista de presentes não existe mais. Papai Noel recebe e-mails, sms, tudo no seu Ipad ou no smartphone.
Esqueça a ceia da meia noite, esqueça o amigo secreto. Isso tudo é papo de gente velha. A diversão está na disputa em games “irados” dos consoles de ultima geração. Mas veja bem, a graça está em concorrer com a máquina e não com seu primo. Ou seja, você se diverte mais sozinho, longe da família por horas, dias, meses.
Mas acalme- se porque quando os pais mais autoritários exigem o desligamento dos games e uma união da família tudo fica bem.
Garotos e garotas de 15, 16 ou até mais novos que isso aproveitam a data comemorativa e a anuência dos pais para iniciarem sua vida alcoólica e de  independentcia, cada vez mais cedo.
Os pais, modernos, vindos de uma geração que foi reprimida(?), privada de alguns poucos prazeres materiais e até sexuais, confundem ignorância com liberdade.
Daí a nova geração, que quando não está em frente ao vídeo game, ao computador, prefere estar diante de uma garrafa de vodka do que num papo com a família.
Se em algum momento deste texto você identificou-se com alguma cena descrita, saiba que existem duas possibilidades a serem analisadas. 
Uma, você fica feliz em saber que não é a sua família a única diferente no mundo. 
A segunda...bem, a segunda é um pouco dolorida. Significa sim,  que em algum momento da sua e da educação que você deu aos seus filhos algo saiu errado. Ou foi a falta de tempo para compartilhar conversas cotidianas, para ir às reuniões escolares, para ouvir sobre a nova namorada (o), para dizer se ele deveria pedir desculpas pelo erros cometidos, para simplesmente ignorar algumas ofensas, ou foi quando você decidiu comprar sua ausência  “ Oh filhão, hoje não vai dar  para conversarmos, tenho um jantar com os amigos. Mas aproveitando que ligou, me diga, você prefere o X-box 360 ou Nintendo Wii de presente?”.
Mas afinal, será que dá para acreditar que o Papai Noel pode voltar a existir na cabeça das crianças ou ficará entretido desvendando os segredos contidos no seu novíssimo Ipad?
Até tu, Papai Noel? Ho Ho Ho para nós!



Norton Emerson

As Glórias do Mito Tri Campeão Mundial de Fórmula 1

Ayrton da Silva Senna, paulistano nascido no tradicional bairro de Santana, filho de um empresário brasileiro, logo interessou-se por automóveis. Incentivado pelo pai, um entusiasta das competições automobilísticas, ganhou o seu primeiro kart, feito pelo próprio pai Sr. Milton, aos quatro anos de idade, e que tinha um motor de máquina de cortar grama. A habilidade do garoto na condução do novo brinquedo impressionou a família. Aos nove anos, já conduzia jipes pelas estradas precárias dentro das propriedades rurais de seus pais.
Começou a competir oficialmente nas provas de kart aos treze anos. Depois de terminar como segundo colocado em várias ocasiões, no ano 1977 ganhou o Campeonato Sul-Americano de Kart e também em 1980, o Brasileiro em 1977, 1978 e 1980. Faltaram para Senna as conquistas no Paulista e principalmente no Mundial. Ele sentia-se frustrado por não ter alcançado o título de melhor piloto do mundo; tentou quatro vezes, sendo vice em 1979 e 1980. Como ele dizia, é o primeiro lugar ou nada.
Em 1981 começou a competir na Europa, ganhando o campeonato inglês de Fórmula Ford 1600, pela equipe de Ralf Firman. Em 1982, foi campeão europeu e britânico de Fórmula Ford 2000, pela equipe de Dennis Rushen. Nessa época adotou o nome de solteiro de sua mãe, Senna, pois Silva é um nome bastante comum no Brasil.
Em 1983, Senna ganhou o campeonato inglês de Fórmula 3, pela equipe de Dick Bennetts, depois de muita luta e da muitas vezes controversa batalha com Martin Brundle. Também triunfou no prestigioso Grande Prêmio de Macau pela Teddy Yip's Theodore Racing Team, diretamente relacionado à equipe que o conduziu à F 3 britânica.
Senna atraiu a atenção de diversas equipes de Fórmula 1 como Williams, McLaren, Brabham e Toleman. Ao contrário do que se imagina, seu compatriota Nelson Piquet não se opôs à sua contratação pela Brabham. A patrocinadora da equipe, a Parmalat, tinha mais interesse em ter um piloto italiano na equipe do que ter dois brasileiros, influenciando na decisão da equipe em contratar o piloto italiano Teo Fabi para a temporada. Senna, imaginando que Piquet tinha mais influência na equipe, ficou ressentido, declarando em uma entrevista que "Ele (Piquet) não ajudou e nem atrapalhou", dando a entender que sua ida à Brabham foi vetada pelo então bicampeão mundial.
Assim, das três remanescentes, apenas a equipe Toleman ofereceu a ele um carro para disputar o campeonato do ano de 1984.
Senna depois de alguns anos começou a incomodar e se tornou a pedra no sapato de seus adversários, e sempre ficou à frentre nos campeonatos, ele focou em sua carreira que sempre tinha que ser vitorioso, até porque o segundo colocado nunca seria lembrado(assim como em todos os esportes), quando não  conseguia, através de suas entrevistas podia perceber que não gostava, nem sempre dependia dele a vitória porque o carro às vezes não o obedecia, fora a experiência de seu companheiros havia momentos que ele  criticara a sí próprio.
Quando aconteceu a sua trágica morte,na sétima volta a corrida foi reiniciada, e Senna rapidamente fez a terceira melhor volta da corrida, seguido por Schumacher. Senna iniciara o que seria a sua última volta; ele entrou na curva Tamburello e perdeu o controle do carro, seguindo reto e chocando-se violentamente contra o muro de concreto. A telemetria mostrou que Senna, ao notar o descontrole do carro, ainda conseguiu, nessa fração de segundo, reduzir a velocidade de cerca de 300 km/h (195 mph) para cerca de 200 km/h (135 mph). Os oficiais de pista chegaram à cena do acidente e, ao perceber a gravidade, só puderam esperar a equipe médica. Por um momento a cabeça de Senna se mexeu levemente, e o mundo, que assistia pela TV, imaginou que ele estivesse bem, mas esse movimento havia sido causado por um profundo dano cerebral. Senna foi removido de seu carro pelo Professor Sidney Watkins, neurocirurgião de renome mundial pertencente aos quadros da Comissão Médica e de Segurança da Fórmula 1 e chefe da equipe médica da corrida, e recebeu os primeiros socorros ainda na pista, ao lado de seu carro destruído, antes de ser levado de helicóptero para o Hospital Maggiore de Bolonha onde, poucas horas depois, foi declarado morto. Assim então o automobilismo perdia a lenda das pistas de Fórmula 1, não só do Brasil, mas do cenário mundial, e deixando na lembrança dos fãs os grandes momentos de Ayrton Senna e a perda do maior piloto e ídolo que o o planeta terra já testemunhou.  E Com todo merecimento  foi lançado este ano o filme em homenagem aos seus 50 anos na sexta-feira seguinte ao GP do Brasil. Distribuído pela Paramount Pictures, o documentário conta toda a história da carreira do brasileiro e será exibido em São Paulo, Rio de Janeiro e outras quatro capitais que ainda estão em negociação.
A produção, com autorização da família Senna e do inglês Bernie Ecclestone, detentor dos direitos comerciais da Fórmula 1, foi feita pela britânica Working Title. A direção é de Asif Kapadia, com roteiro de Manish Pandey e produzido por James Gay-Rees.
Nenhum material exclusivo foi feito para o filme, mas os produtores dizem que haverá imagens e entrevistas inéditas do piloto. A narração será em inglês com legendas em português.
No Japão, o documentário foi lançado mais cedo, e começou a ser exibido no dia 8 de outubro.  A pré-estreia foi no circuito de Suzuka, onde Senna conquistou seus três títulos de F-1, na semana do GP do Japão.
O nome de Ayrton Senna está entre os esportistas mais conhecidos do mundo segundo, algumas pesquisas mais conhecido do que Pelé que é o Rei do futebol, e segundo pesquisa de mídias brasileiras é o esportista mais lembrado e conhecido do Brasil.

Jefferson R. Domingues

Das páginas para a tela.


The Vampire Diaries é uma série de livros de terror e romance da autora Lisa Jane Smith, sobre a vida de uma jovem chamada Elena Gilbert que se vê as voltas com dois irmãos vampiros.
A trilogia inicial foi inicialmente publicada em 1991. Com a pressão dos leitores, Lisa Jane Smith lançou em 1992 mais um volume, Dark Reunion. Depois de um hiato de quase 16 anos de escrita, Lisa anunciou que novos livros de The Vampire Diaries estavam em obras. A primeira parte dos novos livros de The Vampire Diaries, institulado The Vampire Diaries – The Return: Nightfall, foi publicada em 10 de fevereiro de 2009.
O primeiro livro introduz o leitor à Elena Gilbert, uma bela e popular estudante do ensino médio da pequena cidade de Fell’s, em Virginia, e seus amigos Bonnie, meredith, Matt e Caroline, uma velha amiga de Elena que agora compete com ela.
Quando começa seu ultimo ano, Elena persegue um novo e misterioso rapaz, Stevan Salvatore. Stefan resiste a determinação de Elena com frieza, mas ela ocasionalmente descobrirá seu segredo. Stefan é um vampiro com séculos de idade. Enquanto Elena e Stefan estão apaixonados, estranhos acontecimentos acontecem na pequena cidade e um sombrio e sedutor estranho aparece para Elena.
Ocasionalmente Elena descobrirá que aquele estranho é Demon Salvatore, irmão de Stefan. Na Itália Renascentista, os dois irmãos se apaixonaram por uma jovem vampira chamada Katherine, que encantada por ambos, optou em transformá-los para ter os dois como amantes. Ao descobrir que teriam que dividir sua amada, os irmãos Salvatore começam a brigar.
Pelo grande sucesso da venda dos livros, uma emissora americana se interessou e decidiu fazer um seriado. Hoje, a serie vai ao ar todas as quintas feiras pelo canal THE CW, hoje o seriado de grande sucesso é o líder em audiência.
Já se sabe que o SBT, já tem os direitos para vincular a seria em canal aberto aqui no Brasil, a estréia estava prevista para esse ano, mas só não aconteceu porque a distribuidora Warner não liberou ainda.
A série é muito parecida com a saga crepúsculo, que por sua vez também é baseada nos livros de Stephenie Meyer, os livros da saga crespusculo já ganhou diversos prêmios, incluindo o TOP 10 livros para jovens e adultos.

                                                                                                             Tiago dos Anjos

Profissionalismo ou preconceito?

                                                                                                                          
Toda opinião ou atitude que desenvolvemos no presente, está intimamente ligada a fatos antecedentes.
Pensamentos julgadores estão sedimentados em nossa memória profunda, são subprodutos de uma serie de conhecimentos adquiridos na idade infantil. Preconceitos, superstições e influencias do meio, inclusive de instituições diversas, formou em algumas pessoas um tipo de reservatório moral “coleção de regras e preceitos rigorosamente seguidos” da qual nos seguimos para concluir e catalogar as nossas atitudes em boas ou más.
O que levaria uma pessoa bem instruída a julgar e discriminar uma classe social? Pois é, ainda hoje tem pessoas que não quer enxergar que o país mudou e está mudando. É inegável que houve um avanço social, cidadãos de classes C, D, E...  Estão comprando cada vez mais. Mas essas mudanças estão incomodando algumas pessoas, aquelas da classe A ( CLASSE ALTA ), assim penso eu!
No mês de novembro o jornalista Luiz Carlos Prates, da RBS TV afiliada a rede globo nem um pouco conhecido no sul do país, apenas falou em tv aberta que “hoje qualquer miserável tem um carro, o sujeito jamais leu um livro, mora apertado em uma gaiola que hoje chamam de apartamento, não tem nenhuma qualidade de vida, mas tem um carro na garagem” A declaração do jornalista teve grande repercussão na internet, um discurso carregado de preconceito de classe social.
Infelizmente esse país ainda tem uma porcentagem minúscula que não está acostumada a ver uma sociedade menos desigual. Pessoas que estavam acostumadas a olhar os outros de cima para baixo, e sente o prazer em se sentir superior a outras pessoas.
Não foi de hoje ou ontem que surgiu o preconceito, isso vem antes de mim e você ter nascido. Quanto ao preconceito generalizado ( racial, religioso, social ) todos nós temos, mas não gostamos de admitir. Se você não gosta de um grupo social, os emos, por exemplo, então terá preconceito e uma certa distância deles. Você pode até conviver com um emo, mas não o aceitará. De uma maneira mais branda, isso também é considerado discriminação.
Uma sociedade em que todos respeitam a diferença do próximo é utópica, mas pelo menos podemos fazer muito para conscientizar a todos sobre nossa homogeneidade. Pois o primeiro passo é mudar a nós mesmos e tentar acabar com nossos preconceitos seja ele racial, religioso ou social como vimos a cima. O próximo passo segue e podemos então construir um mundo um pouco melhor para se viver, basta querer.
             
                                                                                                 Tiago dos Anjos

Two And A Half Men: A série que não para de crescer.


Ano após ano, Two And A Half Men é uma das comédias de maior audiência da televisão americana, e uma das mais assistidas no Brasil. A série obtém sucesso em conquistar públicos de faixas etárias distintas e consegue manter-se interessante mesmo que por várias temporadas.
A história principal da série é bem simples e visa retratar um ambiente familiar, embora um pouco incomum, devido às circunstâncias.

Charlie Harper (Charlie Sheen) acolheu em sua casa seu irmão e sobrinho, respectivamente, Alan (Jon Cryer) e Jake (Angus T. Jones). Pode parecer um universo reduzido, mas a verdade é que os pontos que podem ser explorados na série, como a perturbada infância de Alan e Charlie ou mesmo o desenvolvimento de Jake.

Os atores Charlie e Jon possuem uma vasta história de atuação e Jon, especificamente, necessitava de alguém que enxergasse seu talento e de uma chance como essa.

Algo que garante que a série não se afunde na mesmice é o fato de que todas as temporadas, por mais que alguns fãs gostem mais de umas ou outras, possuem, além de um humor muito bem-trabalhado em alguns episódios, uma história coesa e bem-escrita em outros, o que é um segredo que têm levado muitas séries longes e derrubada algumas outras, que não conseguem tal balanço.

Two And A Half Men, pelo seu tema, que envolve um solteiro bem de vida que se dá bem com as mulheres, a série é muito categorizada como básica e reduzida, o que não é, ao todo, correto. É importante notar que o público da série é um dos mais variados já alcançado por uma comédia, um feito que deve ser levado em consideração.

 A série já se encontra madura e preparada para se tornar cada vez mais introspectiva, posicionando os personagens, cada vez mais, em situações que revelem padrões de comportamento ainda não vistos e eventuais histórias de seu passado.

Vale à pena acompanhar uma série que, de forma tão consistente, revelam mudanças nas características dos personagens, já que, cada vez mais, eles têm que se adaptar com situações como o amadurecimento crescimento de Jake e crises de meia-idade.


Luan Martins

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Alice Sebold - Uma Vida Interrompida - Memórias de um Anjo Assassinado.


“The lovely Bones”foi o primeiro romance de Alice Sebold, é uns dos maiores fenômeno literário dos últimos anos. Foi o livro de ficção mais vendido nos Estados Unidos em 2002, com 1,5 milhões de cópias. O romance chega ao Brasil com o título de Uma Vida Interrompida – Memórias de um Anjo Assassinado.
Foi preciso muita ousadia para escrever um livro assim. A narradora desta história tem apenas 14 anos e sonhava ser fotógrafa enquanto ainda tinha toda a vida pela frente. O livro é em sim uma contradição, cheio de humor e esperança, apesar de ter como pontapé inicial o estupro e assassinato de uma adolescente. A história de Susie Salmon “como o peixe”, diz ela na primeira linha do romance quando começa a se desvelar na sua frente, faz os compromissos assim como os amigos, a família, a fome, o sono e até o celular tocando, parecerem bem pouco interessantes e menos urgentes.
Os “ossos“ do titulo em inglês não são os restos de Susie, a menininha que conta a história depois de morta. São a estrutura sobre a qual a vida é construída. Outra audácia é a de colocar Susie Salmon no céu. Sim foi para lá que foi a nossa protagonista, e é para baixo que ela olha com olhos atentos, enquanto conta a história de sua família, agora traumatizada de como seu assassino planeja os detalhes minuciosamente para não ser descoberto de como a policia não tem nenhuma pista sobre como chegar a ele.
A partir daí ela conta que por estar inconformada com sua morte precoce e um tanto entediada com a vida no céu decidiu acompanhar como sua família, amigos e o próprio assassino continuaram suas vidas após a tragédia. Susie passa a observar lá de cima os sentimentos inadequados que sua mãe começa a ter depois de sua morte, o jeito desesperado como seu pai começa a agir, a vergonha de sua irmã mais nova, que agora é a garota mais popular e ao mesmo tempo mais rejeitada do colégio, e o desnorteamento de seu irmãozinho de 4 anos que simplesmente quer ver os pais pararem de chorar e saber se sua irmã mais velha chega “de viagem”. E o menino de quem Susie gostava, que acaba se vendo envolvido em um acontecimento milagroso.
Mas não é justiça o que busca Alice Sebold, a autora do livro. Nesta obra aqui, é o pai da menininha morta, Jack Salmon e o chefe da policia local, Len Fenerman os que querem vingança. A escolha do tema tem a ver com a vida própria da autora, Alice Sebold, aos 19 anos quando estava no primeiro ano de faculdade e ainda sonhava ser poeta, foi estuprada em um beco do campus da universidade. Ao chegar à delegacia machucada e assustada e não mais virgem, ouviu de um dos investigadores que várias mulheres haviam sido estupradas e mortas no mesmo beco antes dela. Alice Sebold queria criar um romance de ficção quando pensou na história que viria a se transformar em uma vida interrompida. Não escreveu seu livro de memórias para desabafar ou por um desses impulsos de escritor que sua vez por outra aparecem em entrevistas. Escreveu por consideração a Susie Salmon, sua personagem principal. “Uma vida interrompida“ é luminoso e surpreendente, um romance que constrói a partir da dor, a mais esperançosa das histórias. Alice transforma uma tragédia inaceitável, o luto de uma família e a impossibilidade da justiça em boa literatura, cheia de humor e esperança.
Com um tema forte e doloroso este livro faz o milagre de valorizar a vida.
Intenso e comovente, o romance é para leitores compulsivos, pois uma vez começada a leitura, é impossível deixá-lo de lado. O romance já inspirou um longa metragem, dirigido pelo cineasta Peter Jackson, o mesmo diretor de O Senhor dos Anéis.
                                                                                                          Tiago dos Anjos